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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Multicelularidade

Após a formação dos seres eucarióticos, a vida na Terra apresentava uma grande diversidade. Os eucariontes reuniam diversas capacidades na mesma célula e competiam entre si pelo ali­mento e pelo espaço. A crescente competição levaria ao aparecimento de uma nova classe de seres vivos - os organismos multicelulares. De facto, a associação entre alguns seres unice­lulares poderá ter sido vantajosa neste ambiente de competição. Os organismos multicelula­res terão surgido na Terra há cerca de 1500 M.a. e, actualmente, dominam o mundo biológico.

Os seres multicelulares dominam, na actualidade, o mundo biológico, pois têm vantagens sobre os indivíduos unicelulares. Um ser multicelular, ser vivo constituído por várias células interdependentes, possui algumas vantagens evolutivas, já que possuem maiores dimensões, mantendo-se, contudo, uma relação área/volume das células ideal para a realização de trocas com o meio. Possuem, ainda, maior diversidade de formas, proporcionando uma maior adaptação a diferentes ambientes. A existência de uma especialização celular permitiu uma utilização da energia de forma mais eficaz, por causa da diminuição da taxa metabólica. Devido à interdependência dos vários sistemas de órgãos e ao consequente equilíbrio dinâmico do meio interno, foi possível uma maior independência em relação ao meio ambiente.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Da unicelularidade à multicelularidade

Como e por que razão terão surgido os seres multicelulares?

As relações simbióticas  e o consequente apareci­mento de células eucarióticas terão tornado mais fácil a sobrevivên­cia dos organismos nessa fase da história da Terra. Por outro lado, as condições ambientais também se terão tornado diferentes e mais propícias à existência de vida.

Assim sendo, ter-se-ão reunido condições para o desenvolvi­mento das células eucarióticas então formadas, e um aumento de dimensões terá sido uma consequência inevitável. No entanto, quando o tamanho da célula aumenta, a relação da sua área super­ficial com o seu volume diminui, porque a superfície não aumenta ao mesmo ritmo que o volume, não existindo compensação.

O bom funcionamento da célula depende do seu metabolismo, e este conjunto de fenómenos está inteiramente dependente das trocas com o meio extracelular (entrada de substâncias necessárias, por exemplo, nutrientes e oxigénio, e eliminação de substâncias de excreção, como o dióxido de carbono). Assim, a relação entre a área superficial da célula e o seu volume não pode diminuir sem pôr em risco o seu equilíbrio.

Esta deve ter sido a razão pela qual, em determinada altura, as células eucarióticas começaram a sofrer divisão. Numa fase inicial, ter-se-ão formado colónias — grupos de células que, após divisão celular, permanecem juntas.
A divisão celular está relacionada com a necessidade de equilíbrio na razão área/volume.
Mas a verdadeira multicelularidade não se limita ao facto de existir um número de células agrupadas; é necessário que ocorra uma dependência funcional entre estas.
A existência, ainda hoje, de seres vivos cujas células eucarióti­cas mantêm uma relação colonial veio ajudar a perceber a origem dos seres multicelulares.
Em algumas destas colónias, embora ainda não exista diferen­ciação celular nem formação de tecidos, há uma distribuição de tarefas, o que implica a especialização de diversos grupos de células em diferentes funções e a coordenação destas actividades.

A colónia de Volvox é formada por um conjunto de células envolto por uma camada de cerca de mil outras células biflagela-das.
A reprodução assexuada, ou mesmo sexuada, está reservada a alguns grupos de células.
Provavelmente, estes seres coloniais deram origem aos verda­deiros seres multicelulares, por especialização crescente das suas células. Estes primeiros seres multicelulares terão surgido há cerca de mil milhões de anos, de acordo com os registos fósseis.
Nem todos os seres multicelulares apresentam diferenciação celular; muitos deles apresentam conjuntos de células especializa­das que se organizam em tecidos e estes em órgãos cuja associação em sistemas dá origem ao organismo.

Com a multicelularidade, os seres vivos conseguiram resolver o problema que anteriormente foi equacionado, nomeadamente:
ü  o aumento de dimensões com a conservação do equilíbrio da relação área/volume;
ü  a manutenção da área necessária e suficiente para as trocas com o meio;
ü  a diminuição da taxa metabólica (quantidade de energia neces­sária para manter o organismo) e o incremento da diversidade.

No entanto, desde o aparecimento dos seres multicelulares até à grande diversidade de seres vivos que existe actualmente decorreu um longo período de tempo durante o qual se desenrolaram inú­meros processos, que constituem os mecanismos da evolução.
A maioria dos seres multicelulares apresenta uma especialização tão elevada, que se pode falar em diferenciação celular.