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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Multicelularidade

Após a formação dos seres eucarióticos, a vida na Terra apresentava uma grande diversidade. Os eucariontes reuniam diversas capacidades na mesma célula e competiam entre si pelo ali­mento e pelo espaço. A crescente competição levaria ao aparecimento de uma nova classe de seres vivos - os organismos multicelulares. De facto, a associação entre alguns seres unice­lulares poderá ter sido vantajosa neste ambiente de competição. Os organismos multicelula­res terão surgido na Terra há cerca de 1500 M.a. e, actualmente, dominam o mundo biológico.

Os seres multicelulares dominam, na actualidade, o mundo biológico, pois têm vantagens sobre os indivíduos unicelulares. Um ser multicelular, ser vivo constituído por várias células interdependentes, possui algumas vantagens evolutivas, já que possuem maiores dimensões, mantendo-se, contudo, uma relação área/volume das células ideal para a realização de trocas com o meio. Possuem, ainda, maior diversidade de formas, proporcionando uma maior adaptação a diferentes ambientes. A existência de uma especialização celular permitiu uma utilização da energia de forma mais eficaz, por causa da diminuição da taxa metabólica. Devido à interdependência dos vários sistemas de órgãos e ao consequente equilíbrio dinâmico do meio interno, foi possível uma maior independência em relação ao meio ambiente.


sábado, 20 de novembro de 2010

Os insectos foram os primeiros domesticadores

A flor da rosa, antes ainda dos olhares e narizes humanos embarcarem no labor da escultura genética, deviam a sua existência a milhares de anos de acti­vidade escultórica dos olhos e narizes (ou melhor, das antenas, o órgão do olfacto) dos insectos. E o mesmo se pode dizer de todas as flores que embelezam os nossos jardins.


O girassol, Helianthus annuus, é uma planta norte-americana cuja forma silvestre se assemelha a um áster ou margarida grande. Os giras­sóis que se cultivam hoje foram domesticados ao ponto de terem flores do tamanho de um prato de sopa.


Os girassóis gigantes, cultivados ori­ginariamente na Rússia, têm entre 3,5 e 5 metros de altura, o diâmetro da cabeça tem perto de 30 centímetros, dez vezes superior ao tamanho do disco de um girassol bravio, havendo em geral uma cabeça por planta, em vez das flores numerosas, mas menores, da planta bravia. Note-se que os Russos começaram a cultivar esta flor americana por motivos religiosos. Durante a Quaresma e o Advento, a utilização de azeite na cozinha era proibida pela Igreja Ortodoxa. Ora, con­siderou-se que o óleo das sementes de girassol estava isento desta proi­bição. Este factor económico impulsionou a recente criação selectiva do girassol.
Muito antes da era moderna, contudo, os americanos nativos cultivaram estas flores nutritivas e espectaculares de onde extraíam ali­mento e corantes e que usavam na decoração, e alcançaram resultados intermédios entre o girassol bravio e os extremos extravagantes dos cul­tivares modernos. Mas, antes de tudo isto, os girassóis, tal como todas as flores de cores vivas, deviam a sua existência à criação selectiva pelos insectos.


O mesmo se pode dizer da maioria das flores que conhecemos - pro­vavelmente de todas as flores que apresentem outras cores além do verde e cujo perfume seja mais forte do que um vago cheiro a planta. Nem todo o trabalho se deveu aos insectos - em alguns casos, os polinizadores que realizaram a criação selectiva inicial eram colibris, morcegos e até sapos -, mas o princípio foi o mesmo. As flores de jardim foram aperfei­çoadas pelos seres humanos, mas as silvestres, que começámos por refe­rir, só chamaram a nossa atenção porque os insectos e outros agentes selectivos actuaram antes de nós.
As gerações passadas de flores foram escolhidas pelas gerações passadas de insectos, colibris e outros polinizadores naturais. É um exemplo perfeitamente aceitável de criação selec­tiva, com a diferença irrelevante de os criadores serem insectos e colibris em vez de humanos.
Por um lado, os humanos resolveram conscientemente criar a rosa púrpura mais escura que conseguissem, e fizeram-no para satisfa­zer um capricho estético, ou porque pensaram que haveria pessoas dis­postas a pagar bom dinheiro por ela. Os insectos não agem por razões estéticas por razões sexuais.
Fonte : Adapatação a partir de "O Espectáculo da Vida - Richard Dawkins. Casa das Letras"