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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A História da Vida na Terra

A chave para compreendermos a história da vida está nos fósseis.
Os fósseis são os vestígios das plantas, dos ani­mais ou dos micróbios que existiram. Podem tratar-se de petrificações, o que significa literalmente «transformados em pedra», e estes são alguns dos exemplos mais comuns. Os fósseis petrifi­cados podem ser de dois tipos, o primeiro dos quais correspon­de àqueles que se transformaram literalmente em pedra, e em que nada do organismo original se conservou. A folha ou o tronco da árvore, ou a concha, ou o verme, desapareceram por com­pleto, e a cavidade que ficou para trás foi substituída por grãos de areia ou lama, ou mais frequentemente por minerais, através de uma solução que se foi entranhando nos espaços da pedra em volta e depois se infiltrou naquele espaço e cristalizou.
O segundo tipo de petrificação, mais habitual, retém ainda parte da matéria original do animal, por vezes o carbonato de cálcio que compunha a concha, ou alguma cutícula ou resto car­bonizado da planta. Nesse caso, os grãos ou os minerais limi­tam-se a preencher as cavidades. Assim, muita gente pode surpreender-se ao perceber que os fósseis mais comuns, as trilobites com 400 milhões de anos ou as amonites com 200 milhões de anos, são na verdade compostos em grande parte pelo carbo­nato de cálcio original do seu esqueleto externo ou da sua con­cha, tal como em vida. De igual forma, a esmagadora maioria dos ossos de dinossauro é feita do fosfato de cálcio (apatite) ori­ginal, o principal constituinte mineralizado do osso, então como hoje. Ao olharmos atentamente para a superfície exterior destes fósseis, talvez com uma lupa de aumentar, conseguimos distin­guir características extremamente precisas, tais como pústulas ou marcas de crescimento na caparaça das trilobites, a multico­lor madrepérola original da concha das amonites e as cicatrizes nos músculos ou marcas dentárias na superfície dos ossos dos dinossauros. Se os fósseis de conchas ou ossos forem objecto de um corte longitudinal e examinados ao microscópio, poder-se-ão encontrar todas as camadas originais de crescimento e as estruturas internas. Por isso, uma amostra retirada de um osso de dinossauro parecerá tão jovem quanto uma amostra de um osso recente.
Nem todas as plantas e todos os animais que alguma vez existiram se transformaram em fóssil. De facto, se assim fosse, a superfície da Terra estaria coberta por avalanches de fósseis em todo o lado, grandes pilhas de ossos de dinossauros, trilobites, gigantescas árvores dos pântanos do período Carbonífero, amonites, estendendo-se provavelmente até à Lua. Ninguém sabe que percentagem de vida acabou fossilizada, mas é evi­dente que se trata de uma fracção minúscula, muito inferior a 1%. Tanto plantas como animais têm de ter necessariamente elementos de protecção corno um esqueleto, uma concha ou um tronco endurecido para poderem garantir um estado de conser­vação. Mesmo assim, a maioria das carcaças de animais e das plantas mortas entra na cadeia alimentar quase de imediato, sendo atacada por animais ou decomposta por bactérias. Os organismos mortos só podem fossilizar se a sedimentação esti­ver a ocorrer, ou seja, se areia ou lama forem despejadas para cima dos restos, talvez no chão de um lago fundo, por baixo de um banco de areia num rio, ou nas profundezas do oceano, abaixo da zona constantemente agitada por correntes e marés.

Fonte do Texto : Breve História da Vida - Michael J. Benton

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Protecção do sistema dunar

Dependente do volume de areias transportado pela deriva litoral para o fornecimento de areia que alimenta o processo de evolução dunar, este sistema é muito sensivel a qualquer modificação nos mecanismos de transporte de sedimentos das zonas que lhe são adjacentes.

Alterações profundas na dinâmica destes processos levam inevitavelmente a alterações nos sistemas dunares. Da mesma forma, a sua estabilidade está intimamente ligada à conservação do coberto vegetal.

A destruição da vegetação, ou a sua ausência, levam a uma movimentação das areias para o interior, sobretudo sob acção do vento e dos galgamentos pelo mar.

Em situações em que se verifica um avanço do mar, o processo inverso ao da formação das dunas irá verificar-se. Em primeiro lugar, irão desaparecer as duas primeiras faixas da duna embrionária. Situadas a uma cota mais baixa, são efectivamente as zonas mais frágeis e que irão sofrer mais depressa as acções destrutivas do jacto da rebentação. Praias nesta situação apresentam um perfil truncado, que da vegetação original apenas mantêm alguns tufos de O. maritimus e montículos residuais com A. arenaria a morrer.

Numa fase mais avançada, todo o sistema dunar frontal irá ser atingido, podendo mesmo levar à destruição total da duna mais próxima do mar, começando por nela se modular uma arriba que vai recuando gradualmente.

Nalgumas zonas do  litoral português, o sistema dunar está a ser destruído pela acção do mar e pelas obras de defesa costeira (esporões). Retendo a as areias transportadas pela deriva sedimentar os esporões provocam uma área de erosão que faz recuar uma arriba modelada na frente do sistema dunar, cujas areias são, deste modo, retiradas para alimentar a deriva sedimentar.

Os galgamentos do mar através da duna frontal e o pisoteio da vegetação dunar favorecem a sua degradação, destabilizando as comunidades vegetais e abrindo corredores eólicos que levam as areias para o interior, muitas vezes sob a forma de dunas móveis. A duna frontal fica reduzida a montículos residuais (hummocky dunes).

Adaptado de : http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/2140/1/Sistemas%20dunares%202002.pdf