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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Calcários Biogénicos


Podem ser formados essencialmente pela acumulação de conchas de seres vivos marinhos. Estes seres vivos fixam o carbonato de cálcio formando peças esqueléticas, como no caso das conchas. Quando estes organismos morrem as conchas acumulam-se no fundo do oceano, onde podem ser cimentadas por carbonato de cálcio. Os calcários assim formados são designados por calcários conquíferos. Nos locais em que existem corais podem formar-se calcários como resultado da acumulação de polipeiros, carapaças de ouriços-do-mar, conchas e fragmentos de algas. Estes calcários são designados por calcários recifais ou coralinos.

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Alguns calcários biogénicos:


Calcário com Orbitolinas - Guincho. Pt

Calcário Conquífero - Serra da Boa Viagem - Figueira da Foz. Pt



 Estromatólitos - Serra da Chela - Lubango . Angola

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Princípios do raciocínio geológico


A História da Vida na Terra

A chave para compreendermos a história da vida está nos fósseis.
Os fósseis são os vestígios das plantas, dos ani­mais ou dos micróbios que existiram. Podem tratar-se de petrificações, o que significa literalmente «transformados em pedra», e estes são alguns dos exemplos mais comuns. Os fósseis petrifi­cados podem ser de dois tipos, o primeiro dos quais correspon­de àqueles que se transformaram literalmente em pedra, e em que nada do organismo original se conservou. A folha ou o tronco da árvore, ou a concha, ou o verme, desapareceram por com­pleto, e a cavidade que ficou para trás foi substituída por grãos de areia ou lama, ou mais frequentemente por minerais, através de uma solução que se foi entranhando nos espaços da pedra em volta e depois se infiltrou naquele espaço e cristalizou.
O segundo tipo de petrificação, mais habitual, retém ainda parte da matéria original do animal, por vezes o carbonato de cálcio que compunha a concha, ou alguma cutícula ou resto car­bonizado da planta. Nesse caso, os grãos ou os minerais limi­tam-se a preencher as cavidades. Assim, muita gente pode surpreender-se ao perceber que os fósseis mais comuns, as trilobites com 400 milhões de anos ou as amonites com 200 milhões de anos, são na verdade compostos em grande parte pelo carbo­nato de cálcio original do seu esqueleto externo ou da sua con­cha, tal como em vida. De igual forma, a esmagadora maioria dos ossos de dinossauro é feita do fosfato de cálcio (apatite) ori­ginal, o principal constituinte mineralizado do osso, então como hoje. Ao olharmos atentamente para a superfície exterior destes fósseis, talvez com uma lupa de aumentar, conseguimos distin­guir características extremamente precisas, tais como pústulas ou marcas de crescimento na caparaça das trilobites, a multico­lor madrepérola original da concha das amonites e as cicatrizes nos músculos ou marcas dentárias na superfície dos ossos dos dinossauros. Se os fósseis de conchas ou ossos forem objecto de um corte longitudinal e examinados ao microscópio, poder-se-ão encontrar todas as camadas originais de crescimento e as estruturas internas. Por isso, uma amostra retirada de um osso de dinossauro parecerá tão jovem quanto uma amostra de um osso recente.
Nem todas as plantas e todos os animais que alguma vez existiram se transformaram em fóssil. De facto, se assim fosse, a superfície da Terra estaria coberta por avalanches de fósseis em todo o lado, grandes pilhas de ossos de dinossauros, trilobites, gigantescas árvores dos pântanos do período Carbonífero, amonites, estendendo-se provavelmente até à Lua. Ninguém sabe que percentagem de vida acabou fossilizada, mas é evi­dente que se trata de uma fracção minúscula, muito inferior a 1%. Tanto plantas como animais têm de ter necessariamente elementos de protecção corno um esqueleto, uma concha ou um tronco endurecido para poderem garantir um estado de conser­vação. Mesmo assim, a maioria das carcaças de animais e das plantas mortas entra na cadeia alimentar quase de imediato, sendo atacada por animais ou decomposta por bactérias. Os organismos mortos só podem fossilizar se a sedimentação esti­ver a ocorrer, ou seja, se areia ou lama forem despejadas para cima dos restos, talvez no chão de um lago fundo, por baixo de um banco de areia num rio, ou nas profundezas do oceano, abaixo da zona constantemente agitada por correntes e marés.

Fonte do Texto : Breve História da Vida - Michael J. Benton

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Protecção do sistema dunar

Dependente do volume de areias transportado pela deriva litoral para o fornecimento de areia que alimenta o processo de evolução dunar, este sistema é muito sensivel a qualquer modificação nos mecanismos de transporte de sedimentos das zonas que lhe são adjacentes.

Alterações profundas na dinâmica destes processos levam inevitavelmente a alterações nos sistemas dunares. Da mesma forma, a sua estabilidade está intimamente ligada à conservação do coberto vegetal.

A destruição da vegetação, ou a sua ausência, levam a uma movimentação das areias para o interior, sobretudo sob acção do vento e dos galgamentos pelo mar.

Em situações em que se verifica um avanço do mar, o processo inverso ao da formação das dunas irá verificar-se. Em primeiro lugar, irão desaparecer as duas primeiras faixas da duna embrionária. Situadas a uma cota mais baixa, são efectivamente as zonas mais frágeis e que irão sofrer mais depressa as acções destrutivas do jacto da rebentação. Praias nesta situação apresentam um perfil truncado, que da vegetação original apenas mantêm alguns tufos de O. maritimus e montículos residuais com A. arenaria a morrer.

Numa fase mais avançada, todo o sistema dunar frontal irá ser atingido, podendo mesmo levar à destruição total da duna mais próxima do mar, começando por nela se modular uma arriba que vai recuando gradualmente.

Nalgumas zonas do  litoral português, o sistema dunar está a ser destruído pela acção do mar e pelas obras de defesa costeira (esporões). Retendo a as areias transportadas pela deriva sedimentar os esporões provocam uma área de erosão que faz recuar uma arriba modelada na frente do sistema dunar, cujas areias são, deste modo, retiradas para alimentar a deriva sedimentar.

Os galgamentos do mar através da duna frontal e o pisoteio da vegetação dunar favorecem a sua degradação, destabilizando as comunidades vegetais e abrindo corredores eólicos que levam as areias para o interior, muitas vezes sob a forma de dunas móveis. A duna frontal fica reduzida a montículos residuais (hummocky dunes).

Adaptado de : http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/2140/1/Sistemas%20dunares%202002.pdf

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Zonas Costeiras


A maioria da população mundial concentra-se nas zonas costeiras dos conti­nentes. Em Portugal, que possui uma grande extensão de costa (cerca de 900 km), é no litoral que se verifica a maior densidade populacional e que se localizam as principais cidades.

A faixa litoral é a zona de transição do continente para o oceano. Nessa transição, é possível distinguir:
  • Arribas - costas altas e escarpadas, constituídas por material rochoso consoli­dado e com escassa cobertura vegetal;
  • Praias - zonas baixas onde ocorre a acumulação de sedimentos, de dimensões variadas, a grande maioria dos quais de origem fluvial. Em algumas praias, exis­tem dunas litorais.
A faixa litoral, em especial as arribas, sofre fenómenos de abrasão marinha, que é o desgaste provocado pelo rebentamento das ondas nas rochas. A abra­são marinha é particularmente intensa, quando as ondas transportam partícu­las que são atiradas contra as rochas.
Na base das arribas, existem, por vezes, plataformas de abrasão, que são
superfícies relativamente planas e próximas do nível do mar onde se encon­tram sedimentos de grandes dimensões que resultam do desmoronamento das arribas.

O litoral é uma zona dinâmica que evolui naturalmente, modificando-se. A evolução do litoral é, actualmente, condicionada por factores antrópicos, para além dos factores naturais. Algumas das causas antrópicas que afectam a evolução do litoral são as seguintes:

  • ocupação da faixa litoral com construções (habitações, empreendimentos turísticos, zonas de lazer e outras);
  • diminuição da quantidade de sedimentos, devido à construção de barra­gens e/ou exploração de inertes nos rios;
  • destruição de defesas naturais, como dunas e vegetação costeira.
Em Portugal, a linha de costa está a recuar em praticamente toda a sua extensão, ameaçando construções, colocando em risco a vida e os bens das populações e provocando desequilíbrios nos ecossistemas.

A erosão do litoral pode ser combatida pelas seguintes medidas:
  • construção de obras de engenharia, como paredões, esporões e quebra-mares;
  • estabilização de arribas;
  • alimentação artificial das praias com inertes;
  • recuperação de dunas.
Na costa portuguesa, têm sido construídos numerosos paredões, esporões e quebra-mares. No entanto, a protec­ção conferida por estas estruturas é limitada no tempo e no espaço, uma vez que se verifica a acumulação de sedimen­tos transportados pelo mar num dos lados da estrutura e a sua erosão do lado oposto. Outras medidas, como a alimen­tação artificial contínua das praias e a recuperação das dunas, permitem uma protecção mais eficaz e prolongada.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Acção geológica de um rio

Ao longo dos cursos de um rio ocorre um triplo trabalho geológico, que com­preende a erosão, o transporte e a deposição.
 
Erosão  - Este fenómeno é provocado pela remoção de materiais do leito e das margens. A erosão pode resultar da acção hidráulica, isto é, da pres­são que a água em movimento exerce sobre o leito e as margens. A erosão pode também resultar do desgaste mecânico provocado pelos materiais arrastados pela corrente, que chocam com o leito e as margens. Desta forma de erosão podem resultar formas características no leito designadas por marmitas de gigante.
Transporte - Após a sua remoção do leito e das margens, os detritos são transporta­dos. Se forem partículas finas a muito finas são transportadas em solu­ção ou suspensão. Se as partículas são mais grosseiras, então são trans­portadas sobre o leito por saltação, rolamento ou por arrastamento.
Deposição - Consiste na acumulação dos detritos no leito e nas margens de um rio.

Ao longo do curso de um rio realizam-se simultaneamente os três tipos de acção geo­lógica, embora, de uma forma selectiva, predomine um ou outro tipo.
A intensidade de erosão provocada pela carga sólida do rio depende da quantidade de detritos transportados e da sua competência. A quantidade de detritos transportados está relacionada com a velocidade da corrente.

A velocidade da corrente necessária para colocar um determinado detrito em movimento - erosão - é maior do que aquela que é necessária para o manter em movimento - transporte. A competência de um rio diz res­peito à sua capacidade para transportar carga sólida. A competência é avaliada em ter­mos da partícula sólida de diâmetro máximo que pode ser posta em movimento no leito de um rio. No diagrama da figura (diagrama de Hjulström) estão representadas curvas experimentais que tentam explicar a influência da velocidade da corrente e da dimensão dos materiais nos fenómenos de erosão, de transporte e de sedimentação.



É frequente, com base no diagrama de Hjulström, a realização de exercícios sobre as condições em que se verifica erosão, transporte e sedimentação, tendo em conside­ração a velocidade da corrente e a dimensão das partículas.

Alguns dados interessantes que podemos retirar da análise do Diagrama de Hjulström:
1) As partículas mais fáceis de remover são as que  apresentam dimensões compreendidas entre os 0,2 e os 0,3mm, na medida em que basta uma velocidade de cerca de 20cm/s para as deslocar da sua posição de repouso - ver local indicado pela seta.
2) As partículas com dimensões inferiores a 0,01 mm apresentam uma grande força de coesão, pelo que oferecem uma considerável resistência à fricção e, portanto, somente são erodidas para velocidades superiores. Este fenómeno é conhecido pelo efeito Hjulström.