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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Abelhas, partenogénese e reprodução sexuada

O habitat das abelhas Apis mellifera é bastante diversificado e inclui savana, florestas tropicais, deserto, regiões litorais e montanhosas. Essa grande variedade de clima e vegetação acabou por originar diversas subespécies ou raças de abelhas, com diferentes características e adap­tadas às diversas condições ambientais, de que são exemplos a Apis mellifera mellifera, Apis mellifera ligustica, Apis mellifera caucasica e Apis mellifera carniça.
A diferenciação dessas raças não é um processo fácil, sendo realizado somente por pessoas especializadas, que podem usar medidas morfológicas ou análise de DNA. A variabilidade genética das abelhas é muito grande.
As abelhas são um dos insectos polinizadores mais importantes, já que visitam muitas flores. Quando pou­sam sobre uma flor, o seu corpo fica coberto de pólen e, ao visitar a flor seguinte, parte do pólen desprende-se, polinizando a planta.
As abelhas são muito importantes para a agricultura. Muitas das plantas que cultivamos, e sobretudo as árvo­res frutíferas (a pereira, a macieira, etc.), dependem dos insectos para sua polinização.
O esquema da figura ilustra algumas das etapas da reprodução em abelhas sociais.


A reter :
O zângão é haplóide, enquanto a operária e a rainha são diplóides.
O zângão é produzido por partenogénese, ou seja, a partir de um ovócito não fecundado.

Questão de aula :

As abelhas vivem em colónias constituídas por indivíduos de três castas: a rainha (2n), os zângões e as operárias (estéreis). Sabendo que as fêmeas férteis de Apis melífera têm 32 cromossomas, que os zângões são originados por partenogénese e que as operárias são originadas por fecundação, indique o número cromossómico dos indivíduos de cada uma das castas. Justifique a sua resposta.

Resposta:
A rainha e as operárias têm 32 cromossomas e os zângões 16 cromossomas. A rainha é a fêmea fértil, por isso, tem 32 cromossomas. O zigoto tem 32 cromossomas, pois é formado pela fecundação do espermatozóide do zângão com o óvulo da rainha, que são células haplóides, por isso, com 16 cromossomas cada, dando origem às operárias ou a uma rainha (fértil). Os óvulos da rainha que não são fecundados originam os zângões por um fenómeno conhecido como partenogénese. Portanto, os zângões possuem apenas 16 cromossomas - são organismos haplóides.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sexo Explosivo

Produtora do valioso mel e polínizadora de muitas plantas importantes, a abelha comum, Apis mellifera, tem sido objecto da pesquisa e da fascinação humanas ao longo da história.
A vida sexual única desses insectos sociais está entre seus aspectos mais intrigantes.

Mais de 99% das abelhas fêmeas não se reproduzem.

Elas existem para ajudar uma fêmea - a rainha - a se reproduzir.
Em qualquer época, existe somente uma rainha na colmeia.
Ela põe todos os ovos, o que constituí um trabalho de tempo integral. Ela também determina se um ovo será fertilizado ou não.
Os ovos fertilizados originam fêmeas; ovos não-fertilizados geram machos.

Espere, você deve estar pensando: é o macho que fertiliza os ovos!
Sim, o esperma dos machos fertiliza os ovos, mas neste caso a fêmea - a abelha rainha - controla a distribuição de esperma.
Eventualmente, todas as colmeias precisam de uma nova rainha. Algumas vezes, a rainha velha morre. Outras vezes, num fenómeno conhecido como enxameamento, a rainha e um grupo de operárias partem para iniciar uma nova colmeia. Se a rainha morre ou vai embora, uma nova rainha deve ser produzida.
As abelhas operárias remanescentes dilatam algumas celas no favo que contém ovos fertilizados deixados pela antiga rainha. As larvas que eclodem desses ovos recebem um alimento especial, que estimula seu crescimento e desenvolvimento para tornarem-se prováveis rainhas.
A primeira rainha a emergir de sua câmara real mata qualquer outra aspirante à rainha. Então, ela deixa a colmeia para seu voo de acasalamento.
Machos de todos os arredores recebem a mensagem que uma rainha virgem encontra-se disponível e reúnem-se ao redor dela. Durante o voo, ela irá copular com 15 a 20 machos, e cada cópula constitui um evento.
Após conseguir inserir o pénis dentro de sua vagina, o macho literalmente explode, deixando não somente esperma, mas também os órgãos sexuais (que mais tarde caem) na fêmea.
O processo repete-se com outros machos, todos os quais morrem no final. A rainha retorna para a colmeia com um suprimento de esperma para toda a vida e começa a postura. Ela viverá aproximadamente dois anos e produzirá 3 mil ovos por dia.
Caso liberte o esperma, os ovos serão fertilizados e irão produzir fêmeas que devotarão suas vidas para alimentá-la, manter a colmeia, colectar néctar e pólen e criar as suas irmãs.
Os ovos não-fertilizados geram machos, que irão pairar ao redor da colmeia sem fazer nada de útil até partirem para encontrar uma fêmea virgem - um evento pouco provável.
Por isso, é interessante para a rainha limitar o número de machos.

Fonte : Vida - Ciência da Biologia - Volume III.  Artmed