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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Hibridação de DNA, uma revolução na Biologia Molecular

Consegue-se uma separação relativamente fácil das duas cadeias pela acção de vários agentes, entre eles a temperatura, que rom­pem as ligações de hidrogénio entre as bases.


A temperatura necessária (Tm) para se obter desnaturação, isto é, separação das duas ca­deias, é mais elevada num DNA com uma maior proporção de G/C do que num com maior quantidade de A/T, uma vez que o par de bases G/C é ligado por três ligações de descida gradual da temperatura, processo que se chama renaturação.

Estas pro­priedades do DNA (desnaturação e renatu­ração) serviram de base para o desenvol­vimento de técnicas de hibridação de ácidos nucleicos, actualmente muito usadas em Bio­logia Molecular.

A Dupla Hélice

watson e crick, em 1953, associando os dados químicos de Chargaff e os obtidos por Wilkins/Rosalin por meio de difracção de raios X, propuseram o seguinte modelo para a estrutura do DNA, que lhes valeu o prémio Nobel em 1962 :
a molécula do DNA é formada por duas cadeias polinucleotídicas enroladas uma à volta da outra no sentido dos ponteiros do relógio, formando uma dupla hélice.
As bases de cada cadeia estão orien­tadas para o interior da cadeia dupla e ligam-se às bases da outra cadeia por ligações de entre G e C (três ligações de hidrogénio), o que determina uma rigorosa complementa­ridade entre as bases.
Os pares de bases estão afastados 0,34 nm na dupla hélice, e uma volta completa de uma cadeia em torno da outra compreende 3,4 nm, o que significa que há dez pares de bases por turno.
As cadeias não estão espaçadas uniformemente ao longo da dupla hélice, formando cavidades de diferentes ta­manhos, uma mais larga (major groove) e outra mais estreita (minor groove). As duas cadeias são antiparalelas, correndo de 5'—>3' em sentidos opostos (polaridade oposta).

Estrutura do DNA

O DNA (ácido desoxirribonucleico) é uma macromolécula polimérica, sendo cada unidade monomérica, o nucleótido, composto por um açúcar (desoxirribose), um grupo fos­fato e uma base azotada (purina ou pirimidina). O nucleótido do DNA chama-se desoxirribonucleótido. A desoxirribose liga pelo car­bono 5' ao grupo fosfato e pelo carbono l' à base azotada. As purinas são a adenina (A) e a guanina (G) e as pirimidinas a timina (T) e a citosina (C).

Os mononucleótidos são unidos por ligações covalentes (ligações fosfodiestéricas) entre o grupo fosfato de um nucleótido e o grupo OH-3' do açúcar do nucleótido seguinte; a cadeia polinucleotídica tem uma polaridade, quer dizer, apresenta uma extremidade com um carbono 5' ligado a um grupo fosfato e a outra extremidade com um carbono 3' ligado a um grupo hidroxilo.
Nos anos cinquenta, Chargaff mostrou, por meio de hidrólises alcalinas, que o total das purinas era sempre igual ao das pirimidinas e que a quantidade de A era igual à de T e a de G igual à de C. No entanto, a razão A+T/G+C não é igual a 1; varia segundo o organismo, mas é constante para cada espécie, sendo ex­pressa em %GC.